Liderança: como pretender ser íntegro sem ser integral?

O termo integral tem como significado o conceito de inteiro, completo. Na condição humana, pode-se dizer daquele que não diminuído na sua totalidade, se apresenta com todos os seus atributos e valores preservados como expressão autêntica da sua integridade. Em referência ao processo de liderança cabe lembrar que o profissional antes de ser alçado à posição de líder se apresenta como indivíduo — não dividual, indiviso na sua expressão física, mental, emocional e espiritual. Reconhecidamente íntegro, inteiro, integral torna-se então apto a ser referência para aqueles a quem lidera, não apenas por sua capacidade de trabalho, mas sobretudo por sua maturidade comportamental. Essa deveria ser a disposição natural do líder no entendimento da indivisibilidade entre a sua condição pessoal e profissional.

Contudo, na contramão do que deveria ser, a realidade nas empresas mostra que os líderes, premidos pela velocidade e complexidade das tendências do novo cenário, estão cada vez mais desconectados do que em si os identifica e fortalece. Cindidos na própria essência, são privados não apenas da sua integralidade, mas do maior privilégio humano, o direito de ser completo. É fácil perceber que o ponto nevrálgico das relações de trabalho advém principalmente da miopia do líder em relação aos próprios aspectos da sua personalidade. Por consequência, o problema se estabelece também como debilidade na relação com os seus liderados, pois o que o líder não compreende em si, imputará ao outro como responsabilidade, comprometendo a clareza das necessidades e expectativas individuais como ponto de adequação entre as partes.

A despeito do vasto conhecimento teórico das lideranças, a dificuldade de compreender a natureza do que se expressa como conceito subjetivo das interações humanas, torna o líder refém das suas próprias limitações. Em meio às transformações radicais que vêm ressignificando os relacionamentos corporativos, é um contrassenso ver alguns líderes ainda insistindo em reproduzir os desmandos de uma liderança autocrática, ao estilo do manda quem pode e obedece quem deve. O que em alguns casos pode até prover solução de curto prazo, mas não se sustenta como perspectiva de continuidade, pois é incompatível com o novo perfil da relação líder-liderado consonante com as boas práticas da liderança integral. Não há mais como uma abordagem pautada no rigor matemático, que desconsidera o aspecto humano das relações de trabalho, ser concebida como estilo de gestão.

O propósito da liderança integral pressupõe que o líder tenha interesse genuíno por pessoas e o convoca a exercer a autoliderança como pré-requisito para lidera-las, pois, para influenciar é preciso ser por inteiro e engajar a partir do próprio referencial de conduta. As pessoas, mais do que de críticas e bons conselhos, precisam mesmo é de bons modelos onde possam embasar sua experiência de percepção. Somente consciente da sua integralidade o líder consegue vivenciar o conceito de unidade como recurso estratégico na gestão do negócio e de pessoas, associando o compromisso de ser íntegro à condição de ser integral.

Waleska Farias
Liderança, Carreira e Imagem

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