Waleska Farias - Gestão de carreira e imagem



Ao Maestro, Com Carinho Ao Maestro, Com Carinho

Durante anos o mundo corporativo se gabou dos seus conhecimentos administrativos e, arrogante, buscava ensinar as organizações sem fins lucrativos a gerir o seu “negócio”.

As pobres entidades careciam de conhecimento sobre indicadores, performance, estratégias de arrecadação e administração de fundos, conhecimentos analíticos das variáveis do mundo moderno…

Veio a crise de 2008 e, com ela, uma doce vingança das entidades, que passaram a mostrar para o mundo alguns conhecimentos que já eram utilizados em seu dia a dia. Nancy Lublin, presidente da ONG americana Dosomething.org lançou, ano passado, o livro “Zilch  - The Power of Zero” in Business (traduzindo livremente, Nada - o Poder do Zero nos Negócios) onde dá alguns conselhos para as empresas e traz exemplos interessantes para que essas passem a compreender como extrair valor do mínimo que possuem!

Outra lição do chamado terceiro setor  vem da teoria das redes sociais, lançada historicamente por Jacob Moreno em meados de 1930 e impulsionada em 1990 pelo sociólogo Castells. Bem aplicada nas entidades sem fins lucrativos, seu principal aspecto é a colaboração entre os participantes em busca de um objetivo comum.

Empoderar seus stakeholders, ou seja, os públicos interessados, e motivá-los a buscarem essa meta única, que envolva não somente seus desejos materiais, mas também os anseios espirituais e emocionais, é o beábá das ONGS.
Como exemplo das melhores práticas deste terceiro setor que considero vital para as empresa privadas com fins lucrativos está a questão da liderança.

Toda vez que vejo as discussões sobre o papel do gestor/líder, me vem à mente a figura do Maestro. Seja do Coral amador que eu participava, seja da magnífica Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Não é nada fácil lidar com artistas, todo mundo sabe. A maioria é sensível demais, confuso em excesso e tem ego um tantinho exagerado. E administrar isso é tarefa para poucos.

Um Maestro deve ter um bom conhecimento técnico. De cada voz ou de cada instrumento. Ele não precisa saber cantar ou tocar, mas deve saber como uma voz de contralto deve se portar e como precisa ser o som mais puro do violino. Afinal, como ele vai corrigir se não souber?

Ele também deve ter uma atenção ao mesmo tempo sistêmica e detalhista. Capaz de perceber o todo da Orquestra/coral ou o detalhe de cada participante, de cada instrumento.

Mas, acima de tudo, o Maestro precisa entender de Gente. Um ego inflado atrapalha o conjunto, pois o que importa nele é o todo em completa harmonia, não devendo um se destacar desnecessariamente, só em horas que é solicitado a isso.
O grupo não é o Maestro. Mas não existe sem ele.  Sua função é fazer com que cada pessoa, perfeitamente ajustada no lugar que lhe compete, de o melhor de si – pelo conjunto da obra.

No caso do Coral amador, ainda tinha um outro empecilho: como motivar as pessoas a trabalharem pelo simples prazer de o fazer, sem um ganho financeiro de retorno? E é aí que a arte de liderar do Maestro se faz ainda mais presente. Através do exemplo, do acolhimento a todos e da inspiração diária.

Se você, gestor, está enfrentando dificuldades em efetivar a liderança, fica aqui a dica:
Seja o Maestro de sua equipe. Ah, e dê voz a todos os seus colaboradores…


Adriana Torres

Administradora e consultora de marketing e projetos sociais. 
www.adrianatorres.com.br

Waleska Farias
Coaching, Carreira e Imagem.

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