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O Desafio da Comunicação na Construção de Marcas Fortes O Desafio da Comunicação na Construção de Marcas Fortes

“Nós, os intelectuais, em vez de nos defendermos varonilmente e reduzir a obediência ao espírito, ao ‘logos’ e à palavra, sonhamos todos com uma linguagem sem palavras, que possa exprimir o inexprimível, que possa representar o irrepreensível” (Hermann Hesse)

O maior desafio de quem busca expressar a essência do que é ou do que sente é traduzir em palavras, sons ou cores, aquilo que sua alma percebe. Transformar o abstrato em linguagem figurativa implica exprimi-la de uma forma que possa ser compreensível e adaptada ao mundo das imagens pré-construídas, que chamamos realidade.

A frase de Hesse na abertura deste texto revela essa angústia que sente o poeta, o escritor, o pintor, o designer, ou o compositor da mesma maneira que a sente o empreendedor. Converter sensações, sentimentos ou idéias numa representação de forma reconhecível na natureza é o que podemos chamar de arte, ao longo das mais diferentes épocas e culturas.

No exato momento que escrevo este artigo, uma pequena mensagem surge no canto da tela do meu computador, enviada por uma pessoa amiga virtual do Facebook a dizer: ’sempre que eu leio alguma coisa sua me parece que ela vem com uma nuance melancólica… ‘ - Ao ler essa mensagem, dou-me conta de que essa melancolia é a forma como a alma torna visível sua essência, ao revelar o que convencionamos chamar de amor; expresso sob a forma de uma indisfarçável tristeza, por saber efêmero cada momento, pois o seu pulsar é um agora eterno, sem antes ou depois, a produzir insights que vão sendo projetado pela mente, tal qual revelação mística que cria a partir do nada, poderosas transformações.

O empreendedor, ou empresário que decide transformar o sonho pessoal em realidade vive essa angústia com a mesma intensidade, tal qual compositor que produz uma magnífica sinfonia. É preciso colocar para fora o que vem de dentro com força avassaladora, e irresistível. Surge um ‘parir’ imperativo a impor uma entrega total caracterizado por um processo criativo que faz desaparecer os limites de tempo e espaço. Um criar compulsivo que não conhece restrições, tampouco se submete a convenções, e flui com intensidade que lhe é própria.

O desafio maior, no entanto, não está na concepção ou no processo de gestação do sonho e sim na forma de comunicá-lo, de traduzi-lo a fim de toná-lo compreensível e atrativo àqueles que estão em volta. Afinal, é preciso romper abismos entre a abstrata percepção sensorial, ou extra-sensorial, e a realidade física. Para dificultar ainda mais, é preciso lembrar que nós seres humanos não caminhamos na mesma velocidade ou direção. Viajamos em diferentes ritmos e carregamos individualmente distintos níveis de compreensão e percepção. Isso pode tornar a mensagem que se deseja comunicar totalmente deslocada do seu tempo; inoportuna, inadequada, incompreensível, ou até mesmo indesejada. Algumas óperas, livros, e telas só se tornaram ‘divinas’ muitos anos depois de lançadas. D. Quixote a obra prima de Cervantes, o grande escritor espanhol, levou mais de cem anos para se tornar consagrada. As telas de Van Gogh, considerado hoje uma das maiores expressões da arte, só vieram a ganhar notoriedade após sua morte. Jesus Cristo foi assassinado pela igreja da sua época por trazer uma mensagem diferente do convencional, incompreensível ou indesejável para os padrões pré-estabelecidos pelo ‘establishment’ de então.

Difundir uma idéia e a partir dela construir um projeto não é tarefa das mais simples. Impõe superar objeções de toda ordem; romper paradigmas, destruir barreiras, construir sinergia e estabelecer parcerias com total comprometimento. Uma idéia ou um conceito por mais extraordinário que possa parecer corre o risco de evaporar-se para sempre se não contar com a sinergia de pessoas que necessariamente precisam estar envolvidos com o operacional, para viabilizá-las. É extremamente difícil para quem cria, e vive em um mundo de abstração embrenhar-se naquilo que ele chama de insuportável rotina da realidade. Nesse momento, é vital reconhecer a importância de parcerias que permitam construir a visibilidade da marca, a fim de torná-la conhecida e desejável.

Construir uma marca, seja ela pessoal ou empresarial, exige uma compreensão extraordinária naquilo que diz respeito ao seu momentum, pois implica definir uma linguagem original para não perder sua autenticidade, que seja ao mesmo tempo coerente, acessível e atraente; mas acima de tudo, tenha visibilidade para gerar uma percepção que se propague no inconsciente coletivo de maneira envolvente e consistente. Essa propagação, embora possa implicar em um esforço acima do normal, a exigir um intrincado processo de comunicação, algumas vezes intensivo e caro, costuma compensar o esforço; ainda que uma distância abissal possa separar o momento espetacular do criador e o sucesso de sua criação, em que o ‘inexprimível’ se revela em toda sua plenitude.

Mauricio A Costa (mauriciocosta@uol.com.br) - Consultor de Empresas para assuntos de Valor Agregado, Gestão e Licenciamento de Marcas. Atua também como Coach e Palestrante. Autor do livro “O Mentor Virtual”. Blog MARCAS FORTES

Waleska Farias
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