Waleska Farias - Gestão de carreira e imagem



Fofoca e Mau Comportamento Representam 80% das Demissões Fofoca e Mau Comportamento Representam 80% das Demissões

Boa qualificação não é mais sinônimo de uma carreira de sucesso. Hoje, as empresas estão de olho no comportamento e nas competências dos profissionais. Sem uma boa conduta, não há eficiência que mantenha um funcionário na organização. Afinal, mau humor, desorganização e falta de educação contaminam o ambiente de trabalho.

De acordo com pesquisa realizada com 39 profissionais de grandes empresas pela consultora Waleska Farias, 80% das demissões foram causadas por problemas cotidianos, como fofocas, uso de palavrões e falta de educação. Outra gafe imperdoável são as brincadeirinhas no trabalho que ofendem os colegas mesmo sem intenção.

“Ter um bom comportamento é essencial para um profissional ser bem-sucedido porque ele representa a imagem de uma organização. Isso significa que se ele fizer algo errado, vai manchar a imagem do local onde trabalha”, explica Waleska Farias, especialista em gestão de carreira e imagem.

Estudo realizado em 2009 pela Catho Online, classificados de empregos, com 16.207 profissionais, aponta outros motivos fatais que podem levar um funcionário para o olho da rua. Os principais são: não obtenção de resultados (25,2%) e incompetência (22,9%). O levantamento mostra que 12% das demissões foram causadas por mau relacionamento. Faltas e atrasos frequentes certamente não ficam fora da lista, mas ocorrem com mais frequencia em cargos operacionais e administrativos.

Além do bom comportamento, para Edna Barros, professora de recursos humanos (RH) da Universidade São Judas Tadeu (USJT), é essencial que os profissionais se preocupem com a própria imagem. Blusas decotadas, calças caindo, unhas sujas e cabelos desarrumados prejudicam a credibilidade de um profissional.
“Os recrutadores de hoje estão preparados para avaliar o conjunto completo do candidato. Ou seja, a qualificação, o comportamento e a imagem”, explica a especialista em RH.

De acordo com ela, o número de profissionais com problemas de comportamento vem aumentando a cada ano devido à entrada de jovens profissionais no mercado de trabalho. “Nós vivemos uma época em que quatro gerações diferentes trabalham juntas. Isso dificulta a relação entre as pessoas, uma vez que a equipe tem pensamentos, ideias e conceitos diferentes”.

Para evitar gafes desnecessárias, Waleska Farias aconselha os profissionais a pesquisarem o perfil das empresas antes de um processo seletivo e do primeiro dia de trabalho. A internet é uma boa fonte de informação para isso. “O importante é a pessoa saber onde vai trabalhar e o que é exigido na empresa para que ela siga esse modelo e não cometa erros que podem resultar em demissão.”

Profissionais devem evitar gafes com colegas de trabalho. Fazer fofocas e brincadeirinhas de mau gosto é comum entre amigos e familiares, mas no ambiente de trabalho esses costumes devem ser sempre evitados. Isso porque além de prejudicar o próprio emprego, o profissional pode difamar outro funcionário.

Esse foi o caso do analista de sistemas Alfredo Martins, de 38 anos, que chamou um colega de trabalho de gordo sem perceber que ele estava atrás e ouviu tudo. “Me dei mal, mas aprendi e pretendo nunca mais fazer fofocas e brincadeirinhas com as pessoas da empresa”, conta.

Para o analista, fofocas e intrigas são bem comuns no ambiente de trabalho. “Toda empresa tem intriga. O jeito para resolver a situação é mostrar o próprio desempenho para agradar à chefia”, acredita ele.
Diferentemente de Martins, a bancária Cristina Ramson, de 35, nunca foi alvo de chacotas na organização por se manter reservada. “Uma pessoa é alvo de intrigas quando também faz isso com as outras”.

Na opinião da bancária, essas atitudes nem sempre são premeditadas pelos profissionais, uma vez que a fofoca faz parte da cultura do brasileiro. “Tem gente que não faz por maldade porque é da própria personalidade. O problema é que mesmo assim alguém é prejudicado”, fala.

Danilo Ladeia, de 29, já passou por várias situações de preconceito, brincadeiras e fofocas durante a sua trajetória profissional como analista financeiro. A solução que encontrou para não prejudicar o próprio trabalho foi relevar as agressões. “Tento manter a diplomacia senão eu acabo me prejudicando. As más conversas corrompem os bons costumes”, destaca.

Apesar de ter apenas 17 anos, a estudante Natalia Álvares trabalha desde os 13, na área de vendas. Gerente de uma loja, ela afirma nunca ter sido vítima de fofocas no trabalho, mas teme que isso aconteça e prejudique a sua reputação na empresa.

“Intrigas no ambiente profissional me desmotivariam muito. Eu tento sempre manter um bom relacionamento na empresa, mas controlar a boca que é o meu grande problema”, destaca a estudante.
Recrutamento mais analítico

Para evitar problemas com a contratação, as empresas estão investindo cada vez mais em processos de recrutamento e seleção para avaliar minuciosamente não só a qualificação dos candidatos, mas as atitudes deles quando estão em equipe.

De acordo com Regina Frederico, gerente de pessoas da Brasilprev, empresa de previdência privada, o processo seletivo realizado pela organização conta não só com uma equipe de recursos humanos (RH) e com a presença dos gestores, mas também com uma banca avaliadora. “Se não encontrarmos colaboradores que acreditam no próprio trabalho, teremos um problema estrutural.”

Para a gerente, os piores problemas de comportamento dos funcionários são a falta de ética e de caráter. “O nível de tolerância depende da cultura organizacional da empresa. Entretanto, a falta de ética pode derrubar qualquer organização, independentemente do tamanho dela”.

De acordo com Deise Gueler, coordenadora de desenvolvimento de RH da Festo, multinacional alemã de automação industrial, todas as empresas sofrem com as fofocas, conhecidas como “rádio peão”. “Fazemos uma intensa orientação com os gestores sobre isso porque eles precisam servir como exemplo para os subordinados”, explica.

Durante os processos seletivos da empresa, de acordo com Deise, são avaliados desde os conhecimentos gerais do candidato, até a forma como ele fala, o que ele veste e como relata fatos de sua vida pessoal. “O grande problema é que muita gente chega perdida nas entrevistas. Algumas nem conhecem a atuação da empresa”, ressalta.

Artigo Publicado no CATHOBLOG - Quinta, Abril 29th, 2010

Waleska Farias
Coaching, Carreira e Imagem.

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